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NOSSA HISTÓRIA

Quando o celular era coisa de rico e a internet uma palavra nova, sinônimo de incógnita para a maioria das pessoas, os brasileiros viam com desconfiança o surgimento de mais um plano econômico, ao tempo que se acostumavam com o nome de sua nova moeda : o real.
1994.

Para iniciar uma atividade paralela ao comércio em que trabalhava, afixei um aviso no vidro de dois carros antigos que já possuía : “Aluga-se para casamentos”, e os deixava expostos em nosso posto de gasolina para serem vistos pelo publico que ali parava por instantes: e aliado a um anuncio num jornalzinho de bairro, esse era todo o meu investimento em publicidade, para tentar justificar a manutenção de um dispendioso Cadillac e um Ford Landau.

Com a alta circulação de pessoas no posto, logo surgiam interessados, porém muitas vezes, o alto custo de manutenção e principalmente o de combustível, tornavam proibitivos os valores de locação.

As pessoas ainda não viam com bons olhos, o surgimento da nova moeda, vivia-se ainda, a cultura da inflação, e muitas vezes um orçamento dado para 3, 4 meses depois, poderia não ter condições de ser sustentado, principalmente por conta dos altos aumentos nos preços dos combustíveis, o principal peso na planilha de custos do serviço de um Cadillac, por exemplo, cujo peso excessivo, motor grande e antiquado conjugado a um cambio hidramático de apenas duas marchas para a frente, chegavam as vezes, a um consumo de 1/1 km/litro.

Isso dificultava os negócios.

Vinham pensamentos negativos achando que estava na verdade com dois "elefantes brancos" - ou melhor: pretos - na mão.

Mas, eis que numa tarde, uma Noiva desapontada com os valores apresentados e justificados pelas considerações acima, revelou sua idéia :

“ – E aquele carro gordo, amarelinho, lá fora ? É muito simpático !”

Eu nunca havia ouvido falar em carro gordo. Nem magro. Mas pelas características, era óbvio que ela se referia ao DKW ( pronuncia-se “decavê”).

Refiz rapidamente os cálculos e o valor ficou bem aquém do primeiro orçamento fornecido.

A Noiva, feliz, correu para o carro, entrou e sentou-se no banco traseiro; examinou o espaço no piso, os vidros, olhou para o futuro marido e disparou :

“ – Esse aqui !” – sentada no banco de trás, ergueu as mãos e bateu de forma ritmica no encosto do banco dianteiro, uma evidencia de que finalmente havia realizado a escolha certa.


Carro gordo. Nem a revista Quatro-Rodas conseguia definir
tão bem as linhas de um DKW.


Dias depois, DKW e Noiva aportavam na Igreja Matriz de São Bernardo do Campo, provocando olhares admirados, não só pelo glamour de sua ocupante, mas também pela singularidade de suas linhas, a alegria das suas cores e o seu ronco único e inconfundível.

A repercussão do evento foi tal, que o carro começou a ser requisitado em função da sua personalidade, seu espaço interno e o baixo custo de manutenção, proporcionando assim, orçamentos muito mais amigáveis.

Eu tinha em casa, mais dois DKW. Prontos. Bonitos. E mais uns deles na fila de restauração. Eles são uma paixão desde infância, e eu os colecionava como figurinhas, mas dali em diante eu os colocaria não apenas para minha satisfação pessoal, mas também a serviço da felicidade de muita gente, para a qual trabalharia no dia mais feliz de suas vidas.

E como era de costume, todas as manhãs de segunda feira, afixávamos nos vidros dois dos carros de origem norte-americana, os avisos para locação.

Mas, numa certa segunda feira, o aviso passou a ser outro : “Vende-se”. Chegava a hora de dar aviso prévio aos carrões.

Desta forma, os carros gordos começavam a trabalhar mais ativamente, conduzindo Noivos .

E nem por isso, emagreceram.


Cadillac ( em 1º plano ) e Ford Landau. Colocados à venda, aguardavam seus novos proprietários no local onde mais adoravam ficar: perto da bomba de gasolina.
 

Uma particularidade que essa atividade proporciona é que no primeiro momento tenho um cliente e ato continuo adiciono um casal de amigos e na medida de casamentos realizados, eles vão se somando em proporção geométrica.

Mudei para a região de Sorocaba, pretendendo dar início a uma nova vida.

Mas a paixão de menino continua viva, paixão despertada nos idos 1960, quando todos os dias, presenciava e admirava filas de reluzentes e multi-coloridos veículos DKW...

 
1961 – DKW s estacionados, que aguardavam para realizar a primeira viagem de
suas vidas, chamavam a atenção, ante o meu olhar de garoto impressionado.
2011 – Cinqüenta anos depois, uma concentração de DKW s, se perfila a serviço
da felicidade de jovens casais que honram o matrimônio.

 
Conforme ia liquidando seus compromissos naquela região, a frota casamenteira de São Bernardo do Campo, ia sendo trazida para cá. Construí uma espécie de base com bom espaço e materiais de manutenção, concentrados, todos, num único local. Isso também constituiu redução de custos, visto que na antiga cidade, tinha muitos prestadores de serviços, além de uma pesada conta mensal com aluguel de garagens pelas casas circunvizinhas, pois não os cabiam, todos, em casa. Atualmente, consegui tornar o custo final da locação para os Noivos, algo muito mais atraente,e livre também da pesada carga horária que me era imposta pelo comércio de combustível, e assim, cuido agora pessoalmente de grande parte dos itens de manutenção.

Só não dou a eles remédio para emagrecer.


Dedicado a minha Esposa, por sua paciência e compreensão.